
Caciporé de Sá Coutinho de Lamare Torres nasceu em Araçatuba, São Paulo, em 1932.
Iniciou sua carreira artística aos 17 anos, ao ser premiado na I Bienal Internacional de São Paulo com o Prêmio Viagem à Europa. É o único artista brasileiro ainda vivo premiado naquela histórica edição. Formou-se em Direito pela Faculdade de Niterói, no Rio de Janeiro, e complementou sua formação com estudos de História da Arte e Civilização Francesa na Universidade de La Sorbonne, em Paris.
Em Paris, trabalhou em ateliês e desenvolveu obras de orientação abstracionista. Em Roma, frequentou os ateliês de Marino Marini e Alexander Calder, e teve contato com artistas como Alberto Giacometti, Pericle Fazzini e Giacomo Manzù, que marcaram profundamente sua formação. Aprendeu técnicas de fundição em bronze e observou de perto a disciplina e dedicação desses mestres.


De volta ao Brasil, passou a lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e na Universidade Mackenzie, em São Paulo, a convite de Flávio Motta. Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio Itamaraty na VI Bienal de São Paulo.

Com o intuito de integrar arte à arquitetura e ao espaço urbano, estabeleceu parcerias com arquitetos, urbanistas e construtoras. Sua obra afirma-se como uma síntese entre arte e arquitetura. É o escultor com o maior número de obras instaladas em espaços públicos no Brasil — cerca de 80 trabalhos, a maioria no estado de São Paulo. Suas esculturas podem ser vistas em locais como o Largo de São Bento, Museu de Arte Moderna, Praça da Sé, Estação Santa Cecília do Metrô, SESI de São Carlos, Palácio dos Bandeirantes, entre outros.
Caciporé é autor de obras monumentais e também de peças de menores dimensões em bronze e cerâmica. Trabalhou com artistas como Di Cavalcanti, Aldo Bonadei e Hilde Weber. Possui domínio da anatomia humana e das técnicas de modelagem e desenho, que aplica com precisão em suas esculturas. Um exemplo é a obra "Príncipe Philip da Dinamarca", esculpida por ele em 2002, a pedido da embaixada daquele país.


Participou de oito Bienais Internacionais de São Paulo, da XXVI Bienal de Veneza, da II Bienal de Jovens de Paris, da Quadrienal de Roma, e de todos os Panoramas de Escultura organizados pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. Expôs individualmente no MASP, MAM e MuBE, além de representar o Brasil em diversas mostras internacionais.

Caciporé teve participação especial na inauguração da sede do MASP na Avenida Paulista, a convite do então diretor Pietro Maria Bardi, seu amigo e admirador. Foi convidado para a primeira exposição no vão livre do museu. A relação entre os dois era marcada por admiração mútua. Bardi guardava bilhetes e fotos deixados por Caciporé, e o escultor conserva até hoje as cartas e telegramas do amigo.
A arte de Caciporé possui uma dimensão social pouco comum no meio artístico. Trabalha principalmente com aço e ferro em estado de sucata, usando técnicas como corte, solda, lixamento, vergalhamento e pintura para criar formas abstrato-expressionistas. Também modela argila e funde bronze com a mesma destreza.
Caciporé nunca parou de criar e hoje conserva um vasto acervo de obras, muitas delas inéditas. Sua trajetória é marcada por uma produção contínua, por um pensamento artístico original e por sua incansável busca por integrar arte, espaço urbano e vida cotidiana.


Caciporé possui um currículo extenso, com exposições na Quadrienal de Roma, nas Bienais de São Paulo e de Veneza, bem como em diversos outros países. Além disso, ele recebeu diversas premiações, incluindo:
1951
Prêmio Viagem à Europa, I Bienal Internacional de São Paulo
1953
Prêmio Aquisição do MAM/SP, II Bienal Internacional de São Paulo
1953
Medalha de Ouro, Salão Paulista de Arte Moderna
1955
Prêmio Aquisição MAM/SP, Bienal Internacional de São Paulo
1962
Primeiro Prêmio de Escultura, II Salão de Arte Moderna de Brasília
1965
Prêmio de Aquisição do Itamaraty, VIII Bienal Internacional de São Paulo
1966
Prêmio Esso, Salão de Abril, MAM/RJ
1978
Comenda Mário de Andrade, Governo do Estado de São Paulo
1980
Melhor Escultor Brasileiro, APCA
1982
Melhor Escultor Brasileiro, APCA
O artista com maior número do obras públicas em áreas abertas do Brasil.

Acervo Banco Itaú
São Paulo - SP

Arquivo do Estado de São Paulo
São Paulo - SP

Associação Paulista de Medicina
São Paulo - SP

Edifício Av. Berrini
São Paulo - SP

Fundação Carlos Chagas
São Paulo - SP

Centro Empresarial Itaú
São Paulo - SP

Clube Pinheiros
São Paulo - SP

Coleção Fernando Araujo
São Paulo - SP

Condomínio Península
Barra da Tijuca - RJ

ECA USP
São Paulo - SP

Edifício Alfa
São Paulo - SP

Edifício CBS Av. JK
São Paulo - SP
Veja abaixo a lista dos principais colecionadores das obras de Caciporé.